1. Home
  2. /
  3. Mercado Cervejeiro
  4. /
  5. Pioneiras: Monjas Trapistas de Santa Catarina vão criar e produzir cervejas
Pioneiras: Monjas Trapistas de Santa Catarina vão criar e produzir cervejas
Em 18/04/2022 às 10h00.

Pioneiras: Monjas Trapistas de Santa Catarina vão criar e produzir cervejas

Para as monjas, a produção de cervejas é uma forma das pessoas se conectarem com uma visão mais leve e feliz da vocação religiosa.

Luis Celso Jr.
Por Luis Celso Jr., cervejar.com
Jornalista e Sommelier de cerveja

A notícia se espalhou rápido: duas monjas da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, também conhecida como Ordem Trapista, estão estudando cerveja na Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), em Blumenau (SC). O objetivo delas é criar e produzir os próprios rótulos da bebida. O mosteiro das Irmãs Trapistas de Boa Vista, dedicada à Nossa Senhora de Boa Vista, fica em Rio Negrinho (SC) e já produz chocolates e geleias para a comercialização.

O impacto da notícia na comunidade da cerveja foi grande e deixa o Brasil otimista. Isso porque, a Ordem Trapista é mundialmente reconhecida como ótima produtora de cervejas. Mas de acordo com o site da Associação Internacional Trapista, apenas 14 mosteiros, entre dezenas de associados, têm autorização para produzir e comercializar cervejas com a marca Trappist®. Nenhum deles é feminino.

A única iniciativa nesse sentido foi feita na Abadia de Maredret, na Bélgica, que não é vinculada à associação, e onde há produção de rótulos criados pelo cervejeiro John Martin.

Ou seja, Zulema Jacquelin Jofre Palma e Raquel Watzko podem dar origem a algo inédito no Brasil e no mundo: uma cerveja criada e produzida por monjas trapistas, mesmo que não passe pelos trâmites oficiais da associação, que hoje cuida da marca Trappist®.

Origem

O mosteiro das Irmãs Trapistas de Boa Vista é fruto do movimento de duas comunidades trapistas latino-americanas, a chilena, de Nossa Senhora de Quilvo; e a comunidade Novo Mundo no Brasil, casa masculina localizada em Campo do Tenente (PR). O mosteiro também recebeu apoio de outros monastérios do mundo, como alguns produtores de cerveja da Bélgica – e daí surgiu a ideia.

Depois de dois anos de preparação, em 2010, as monjas chegaram à cidade de Rio Negrinho (SC), para iniciar a construção da casa. Em 2013, elas passaram a viver no mosteiro. Os trapistas vivem do seu próprio trabalho e apoiam comunidades carentes. Por isso, produzem e comercializam produtos.

A monja Zulema é chilena e vive no Brasil há 12 anos. Ela diz que foi pega de surpresa com a missão. “Nós conhecemos e estudamos os mosteiros que produzem cerveja, mas não pensamos que seria possível nos envolver com o projeto”, revela.

Já a monja Raquel defende que a cerveja é uma forma de transmitir ao público que a vida monástica também é composta de alegrias. “Quero que, quando provem a nossa cerveja, as pessoas se conectem também com uma visão mais leve e feliz da vocação religiosa, porque nós somos muito felizes vivendo desta forma.”

Ao conhecer a iniciativa, a ESCM subsidiou cursos e equipamentos para que as irmãs obtenham mais conhecimento técnico e possam dar início ao projeto.

História da cerveja

Há séculos, ordem monásticas produzem cervejas. Desde, pelo menos, a Idade Média, monges produzem cervejas para consumo e comercialização. Geralmente, elas são chamadas de “cervejas de abadia”.

O termo “cerveja trapista” é reservado apenas para as bebidas produzidas por monges e monjas dessa ordem específica da igreja católica, ou sob supervisão deles, dentro dos monastérios trapistas, e seguindo as regras da comunidade, como o voto de pobreza. Eles não podem ficar com o lucro, que deve servir a melhorias no mosteiro ou obras de caridade.

Mercado Cervejeiro
22/09/2022 às 10h58.

Oktoberfest: Conheça as 5 maiores do mundo

Você sabia que a festa de Munique não é a maior do mundo? Saiba quais são as cinco maiores Oktoberfests e suas curiosidades.

Compartilhe
Mercado Cervejeiro
19/09/2022 às 15h14.

De 2013 até os dias atuais. A expansão do Mondial no Brasil

Gabriel Pulcino, gerente de negócios do Mondial de la Bière conta um pouco sobre as histórias por trás de um dos maiores festivais de cervejas do mundo.

Compartilhe