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Do Brasil para o mundo: cervejarias artesanais apostam nas exportações

Com o dólar acima de R$ 4 e com a consolidação da qualidade das cervejas brasileiras mundo afora, empresas focam suas estratégias também no mercado internacional

 

A Baviera, com estilo clássico da Alemanha, coloração dourada, espuma cremosa e aroma típico de malte é uma homenagem à Oktoberfest

As cervejas artesanais do Brasil não avançam apenas cenário nacional, mas têm conquistado espaço em importantes nos mercados internacionais. Há quem prefira mandar pequenos lotes para bares e restaurantes dedicados à gastronomia. Outras miram grandes redes de varejo. Uma dessas fabricantes é a Blondine, localizada na cidade paulista de Itupeva, que já aparece nas prateleiras americanas e chinesas. Tudo graças ao conceito conquistado pelas marcas Martina Lager, Martina Witbier e Martina IPA. A meta da empresa, fundada em 2010, é comercializar lá fora pelo menos 50% da produção total, o que corresponde a 250 mil litros mensais. Uma das especialidades é criar edições limitadas e exclusivas de cervejas, como a Baviera, com estilo clássico da Alemanha, com coloração dourada e espuma cremosa, e aroma típico de malte. Trata-se de uma homenagem à tradicional Oktoberfest. Segundo Aloísio Xerfan, presidente da empresa, o crescimento das exportações tem superado 20% ao ano. “Cada vez mais, a cerveja brasileira conquista espaço no circuito cervejeiro mundial, dominada pelas marcas europeias e americanas.”

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Há outros exemplos desse movimento de conquista do mercado internacional. O escritor Ronaldo Morado, autor do livro Larousse da Cerveja (Editora Alaúde), uma das mais respeitadas publicações sobre o tema no Brasil, acredita que o atual crescimento das microcervejarias brasileiras vai levá-las para o exterior. O executivo é consultor de gestão e atuou como CEO da Colorado, antes de a Ambev comprá-la. Segundo ele, uma das vantagens é o imposto de custo zero, ao contrário da elevada tributação cobrada no Brasil.

Segundo o Ministério da Economia, a exportação de cerveja brasileira movimentou US$ 88,47 milhões em 2018. Foram cerca de 135 mil litros. Em 2019, o mês com maior exportação de cerveja foi abril, com US$ 8,74 milhões. O último levantamento realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aponta 679 microcervejarias no país, com a maior concentração no Rio Grande do Sul (142) e São Paulo (124). No mesmo período, o número de novos registros de chopes e cervejas chegou a 8.903. Uma pesquisa realizada pela Kirin Beer University, divulgada pelo Anuário da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), aponta o Brasil como o 3º maior produtor de cerveja do mundo. As microcervejarias, que produzem cervejas especiais, representam 1% desse mercado, segundo a Associação Brasileira de Bebibas (Ababe).

Mas esses números não desencorajam empresas como a microcervejaria cearense 5Elementos, escorada em três prêmios internacionais e que caiu no gosto europeu. Tanto é que recebeu convite dos holandeses para participar do recente festival de Breda, nas imediações de Amsterdã. O cervejeiro-chefe da 5Elementos, Wellington Alves, esteve lá para atrair importantes parcerias das Holanda e Bélgica. Objetivo: emplacar a distribuição nos dois países e buscar outros pontos da Europa e América do Norte.

A Dado Bier, tradicional produtora de cervejas artesanais do Rio Grande do Sul, também começou a exportar para o vizinho Paraguai. Antes, o rótulo da Brazilian Lager era vendido nos Estados Unidos. A parceria se fortalece na distribuidora paraguaia Prisma Trading Cressam. Só no primeiro trimestre de 2019 o volume contabilizou um milhão de latinhas da Lager, IPA e Weiss.  Cerca de 365 mil litros foram levados em 15 carretas.

Os números comprovam a excelência que conduz nossas artesanais para horizontes muito mais amplos. Um estudo elaborado pela Mintel (Instituição de Pesquisas de Mercados e Negócios) mostra que o Brasil é o segundo mercado cervejeiro mais inovador do mundo: 9% dos lançamentos. Só perde para os EUA, que detêm 17%. Aqui, sobram estilos, sabores e investimentos tanto na eficiência quanto nas inovações, especialmente no item maquinários, como revelam dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

AMPLITUDE
Não há como não visualizar as potencialidades atribuídas às cervejas artesanais que, só em 2018, movimentaram US$ 38 bilhões no âmbito mundial. É o que aponta um levantamento do Global Craft Beer Market – Growth, Trends and Forecasts. As projeções indicam um aumento de 14% até 2023. A Europa e os Estados Unidos lideram a produção ascendente. Apenas em 2017 os EUA faturaram US$ 26 bilhões no setor (8% a mais comparativamente ao exercício anterior). Estima-se que a Europa vai chegar a US$ 37,8 bilhões até 2024. O mercado geral deve cravar em US$ 502,9 bilhões até 2025. Europa Oriental, Ásia e Oriente Médio surgem como novos alvos do segmento.

A Califórnia puxa o ranking de cervejarias artesanais nos Estados Unidos. A região de San Diego possui mais de 200 em funcionamento. Juntas, consomem mais lúpulo do que o Brasil inteiro. Brasil está em constante expansão e mantém hoje pelo menos mil unidades produtoras no território nacional. Não é à toa que a Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) comemora e aposta em tempos ainda melhores para o futuro.

Sobre Redação Hugo Cilo

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