Home » Matérias Especiais » As cervejarias que mudaram a trajetória da cerveja artesanal no Brasil: Bamberg

As cervejarias que mudaram a trajetória da cerveja artesanal no Brasil: Bamberg

Com produção em Votorantim, no interior paulista, Bamberg valoriza tradição alemã no mercado de cervejas artesanais  

De Votorantim para o território nacional. O que mais caracteriza uma das mais requisitadas cervejas diferenciadas deste cenário é a grife bem estampada nos diversos rótulos da conceituada marca Bamberg. Bastaria conferir os inúmeros prêmios conquistados tanto no Brasil quanto no exterior. Simples de compreender os avanços de quem soube apostar na estratégia do mestre-cervejeiro Alexandre Bazzo, um apaixonado pela escola alemã – que ele a define  como a mais “técnica e difícil” comparativamente às demais. A capacidade máxima da fabricante atinge a 50 mil litros mensais. Além da linha convencional, a Bamberg produz edições especiais, entre elas, a Biertruppe. Quatro amigos compõem o estafe de criativos empresários que nunca param de buscar o perfeccionismo: Alexandre Bazzo, Leonardo Botto, Edu Passareli e André Clemente (design gráfico). O quarteto bebia e se divertia junto, até que veio a ideia de lançar uma cerveja requintada, sem a pressão de comercializá-la. O salto mágico viria naturalmente no ambiente destes personagens de um filme interessante.

Na vida é assim: tudo começa pelo sonho. O relato é do próprio Bazzo. Ele e os irmãos Thiago e Lucas tinham o costume de saborear a preferida nacional. Assim, curtiam bons momentos nas horas de folga. Mas, para empreender e seguir em frente, um dos  passos era conhecer cervejas de outros países. Algo que fosse diferente daquelas habitualmente oferecidas no Brasil. Afinal, segundo Bazzo, aqui faltava o necessário padrão de qualidade. De cara, seria preciso detectar as dificuldades que impediam o nível de excelência no cenário brasileiro. Aí o grupo familiar decidiu abrir uma pequena cervejaria. A Bamberg surgiria em alto estilo depois de alguns anos. Houve o primeiro cozimento em 18 de dezembro de 2005.

Desde o início, Bazzo assumiu o desafio como cervejeiro e mestre-cervejeiro. Ao mesmo tempo, colocava em prática diversas ações de marketing em eventos para divulgar a nova empresa do ramo. Ele carregava no currículo a formação  como engenheiro de alimentos, além de curso de Mestre em Estilos de Cerveja pelo Siebel e Sommelier de Cerveja pela Doemens.

Newslleter

Bazzo relembra da trajetória toda como quem se coloca de corpo e alma em uma história de sucesso e de voos que não retrocederiam no futuro. Seria indispensável visualizar atentamente cada luzinha inserida na estratégia do negócio. Uma das iniciativas era utilizar um profissional capacitado no ponto de venda inicial – que, acima de tudo, pudesse avaliar, orientar e fiscalizar os itens escolha, estocagem, serviço, uso correto da cerveja e muito mais.

Embora o modelo alemão emplacasse, como é o caso da Bamberg, Bazzo produziu outros estilos iguais à Barley Wine, Blond Ale, Bohemian Pilsner, Dubbel e Oak Aged. Há, também a privilegiada ESB, elaborada em apenas um tanque, fora da linha tradicional. O perfil essencialmente germânico, esclarece Bazzo, soou como uma espécie de reconhecimento humano a uma região mundial que o acolheu tão bem. Portanto, os rótulos da Bamberg representavam uma clara e oportuna homenagem às origens.

Ao se referir ao padrão norte-americano e ao italiano, Bazzo contesta o conceito de moderno invariavelmente atribuído aos dois mercados cervejeiros. No entanto, ele reconhece o elevado status dos Estados Unidos no contexto das artesanais e os graduais avanços constados na Itália. Quanto ao país europeu, ele destaca o aprimoramento e as constantes inovações neste setor. O próximo degrau é produzir uma opção de fermentação espontânea. Quando perguntam qual a melhor cerveja que já experimentou, Bazzo não pensa duas vezes para colocar a Bamberg Helles no topo. Como pai da criança, ele confessa que se emociona muito ao ingeri-la. Nada é mais compreensível. “Para nós, estes prêmios que estamos ganhando mostrou a Bamberg para o mundo. Talvez isso funcione de forma semelhante para as outras cervejarias que também já ganharam estes prêmios”, disse Bazzo.

 

O começo da ascensão da Bamberg

01/05/2008 – Chegava nas bancas o jornal O Estado de São Paulo, que trazia no caderno Paladar a Bamberg Pilsen eleita como a Melhor Pilsen artesanal do Brasil

18/11/2009 – A Bamberg Rauchbier ganha medalha de prata no European Beer Star 2009 na categoria Smoked Beer

25/11/2009 – As cervejarias Bamberg, Falke e Colorado, são homenageadas no Prêmio Paladar 2009 como produto do ano: Cerveja Artesanal

08/02/2010 – Chega as bancas a revista Prazeres da Mesa, onde a Bamberg Rauchbier foi eleita a segunda melhor cerveja disponível a venda no Brasil, entre nacionais e importadas, dentre todos os estilos

15/03/2010 – Sai o livro 1001 Beers you must taste before you die, no qual em uma das cervejas citada é a Bamberg Rauchbier

21/05/2010 – A Bamberg Rauchbier ganha medalha de prata, a München e a  Schwarzibier ganham medalha de bronze no Australian International

28/07/2010 – A Bamberg Rauch Beer ganha dois prêmios no World Beer Awards na Inglaterra, World’s Best Flavoured Lager e The Americas’ Best Flavoured Lager

23/10/2010 – A Bamberg Rauchbier e a Bamberg Schwarzbier ganham medalha de ouro no Mondial de La Biere realizado em Strasbourg, França

10/02/2011 – A Bamberg é eleita a cervejaria do ano de 2010 pela revista Prazeres da Mesa, além disso tem 6 cervejas indicadas entre as melhores. Bamberg Rauch, Bamberg Pilsen, Bamberg Helles, Biertruppe Tcheca, Due e a St Michael fatura como a terceira melhor cerveja a venda no Brasil entre as nacionais e importadas

Sobre Redação Hugo Cilo

X