Home » Matérias Especiais » As cervejarias que mudaram a trajetória da cerveja artesanal no Brasil: Baden Baden

As cervejarias que mudaram a trajetória da cerveja artesanal no Brasil: Baden Baden

Sheps do Brasil, The Beer Store e Choperia Baden Baden uniram forças para lançar uma das mais requisitadas artesanais do Brasil


A cronologia fala muito mais do que poderiam imaginar os adeptos das melhores cervejas artesanais vendidas no país. Campos do Jordão, 1985. A Choperia Baden Baden, famoso endereço da cidade, era um dos assíduos clientes da Sheps do Brasil, uma construtora de marcas e distribuidora bem seletiva de cervejas gourmet inglesas e canadenses, comandada pelos empresários Alberto Ferreira e Aldo Bergamasco.

Em janeiro de 1999, a crise motivada pela desvalorização do real levou Alberto e Aldo a procurarem José Vasconcelos (fundador da famosa cervejaria) para discutir o acordo comercial que havia entre os três. Afinal, diante da imprevisível alta das moedas estrangeiras, o custo de importação aumentou demais, o que poderia inviabilizar a comercialização do produto, caso não revisassem o modelo de precificação utilizado na parceria.

O providencial encontro serviu para encontrassem uma saída econômica e mantivessem as ofertas acessíveis aos consumidores  das cervejas Spitfire, Bishops Finger e Original Porter. Os três amigos insistiam na conversa que rolava solta até de madrugada. Uma das alternativas era desenvolver algo de novo no segmento gourmet. Então, veio a luzinha de apostar nas artesanais baseadas nas importadas pela Sheps do Brasil.

Apesar de tudo, surgiu o primeiro desafio: nenhum deles tinha experiência como fabricante da bebida. Então, Alberto e Aldo recorreram a Marcelo Moss, cliente da Sheps, ex-proprietário do The Beer Store, dono de um bar na Capital escorado no conceito Brew On Premises, que oferecia os equipamentos necessários na elaboração de cervejas artesanais. Só que o estabelecimento não funciona mais. Na semana seguinte, houve outra reunião entre os quatro autores  do empreendedorismo criativo para viabilizar o projeto e comemorar o nascimento da  Cervejaria Baden Baden.

Newslleter

O segundo semestre de 1999 virou ponto de referência para que começassem a construir a fábrica em Campos do Jordão atrelada ao movimento The Craft Beer Renaissance – símbolo do prazer e da felicidade para quem produz e sabe valorizar cervejas diferenciadas e de alto padrão. O nome Baden Baden é uma homenagem histórica à cervejaria de origem.

Na mesma época, a Ambev entrou no cenário pela fusão entre a  Antarctica Paulista e a Brahma. Carlos Hauser, um  renomado mestre-cervejeiro do Brasil, que mantinha 40 anos de atuação no setor, resolveu sair da gigante que se formava na indústria cervejeira para se juntar ao ambicioso projeto de fabricar, em escalas menores, as primeiras estilosas gourmet no Brasil. “Começamos praticamente do zero algo que tínhamos certeza que se tornaria um mercado promissor e gigantesco.”

Hauser, ex-Companhia Antarctica Paulista, passou a ditar o conteúdo inigualável do chope oferecido no Pinguim de Ribeirão Preto. A proposta da  Baden Baden era aderir ao The Craft Beer Renaissence. Além de proporcionar pequenos lotes voltados aos  melhores rótulos, Hauser dedicou-se como nunca ao desenvolvimento de receitas exclusivas. Sobravam a ele competência e conhecimento de quem – a exemplo da família toda – fabricou cervejas europeias durante quatro gerações.

Em 2000, depois de meses de sucessivos testes em diversificadas receitas, apareceu a inédita cerveja da marca, o Chopp Red Ale. Em abril de 2001, os responsáveis pela inventiva obra oficializaram o lançamento das primeiras cervejas engarrafadas: Red Ale, Pilsen Cristal, Lager Bock e Stout Dark Ale. Muitas delas compõem o portfólio regular de opções e mantêm edições limitadas alusivas a fatos e momentos especiais do calendário, como a Celebration de Inverno (Double Lager Bock) e a Christmas Beer (Ale).

Em 2007, a Schincariol, que ocupava o segundo posto no ranking das maiores cervejarias do Brasil, adquiriu a Baden Baden, mas as duas partes não divulgaram os valores do negócio. Em 2011, a japonesa Kirin Holdings investiu R$ 2,35 bilhões para comprar 50,45% do capital do Grupo Schincariol. No fim do mesmo ano, o Cade aprovou a compra de 100% da empresa. Em 2017, a Heineken comprou a Brasil Kirin e assumiu o controle das marcas anteriores, inclusive a Baden Baden.

A Cervejaria Baden produz 15 rótulos: American IPA, 5 Grãos, Witbier, Chocolate, Bock, Weiss, Golden, Red Ale, Stout, Cristal, 1999, Celebration Inverno, Christmas Beer, Tripel e 15 Anos. Ao completar 20 anos de avanços, a Baden Baden ainda guarda o mapa da mina e carrega o jeito de quem aprendeu a superar as dificuldades no País das piores turbulências. Sim, navegar é preciso. A Baden acredita que o futuro também é hoje.

Sobre Redação Hugo Cilo

X